terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Nesse cruzamento

    Nesse cruzamento, estou parado dentro do carro. Bolbos de luz incidem no pavimento e obstruem a visão que tenho de mim, não sem quem sou, o que faço aqui.

    Todo o ser humano nasceria com propósito, mas também dizem que são providos de alma, e essa falta a muitos, ou a todos. E no entanto nunca ninguém a viu, nesse cruzamento.
     E nesse cruzamento cai a luz fosca da noite, dois candeeiros a iluminam, quatro carros o povoam. Um em cada oposto da estrada, dois deles em andamento , paralelos, perfeitos. Está verde para aqueles lados. Esses, os dois potentes coches em andamento sabem, o que deles eu acho. A inveja, sentimento tão feio, eu sinto.
     Sentado no carro, o sinal encarnado dirige-se a mim. Por momentos vi olhos e julguei tratar-se do Diabo. Mas isto é a vida real. Não há face naquela bola vermelha. Só luz e angústia.
     Fecho-os, só quero que passe a verde e não muda. O carro pede para ser desligado: nego-lhe esse prazer e continuo. Barulho do motor invade a audição débil. Lágrima caí, é a minha.
     Abri-os, e agora vejo. Vejo a cor da vida, a esperança que povoa a bandeira da pátria.
    Arranco, não sem antes passar a mão gelada na face, e limpo-a.

     Nesse cruzamento, não soube para onde virar.


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