Nesse cruzamento, estou parado dentro do carro. Bolbos de luz incidem no pavimento e obstruem a visão que tenho de mim, não sem quem sou, o que faço aqui.
Todo o ser humano nasceria com propósito, mas também dizem que são providos de alma, e essa falta a muitos, ou a todos. E no entanto nunca ninguém a viu, nesse cruzamento.
E nesse cruzamento cai a luz fosca da noite, dois candeeiros a iluminam, quatro carros o povoam. Um em cada oposto da estrada, dois deles em andamento , paralelos, perfeitos. Está verde para aqueles lados. Esses, os dois potentes coches em andamento sabem, o que deles eu acho. A inveja, sentimento tão feio, eu sinto.
Sentado no carro, o sinal encarnado dirige-se a mim. Por momentos vi olhos e julguei tratar-se do Diabo. Mas isto é a vida real. Não há face naquela bola vermelha. Só luz e angústia.
Fecho-os, só quero que passe a verde e não muda. O carro pede para ser desligado: nego-lhe esse prazer e continuo. Barulho do motor invade a audição débil. Lágrima caí, é a minha.
Abri-os, e agora vejo. Vejo a cor da vida, a esperança que povoa a bandeira da pátria.
Arranco, não sem antes passar a mão gelada na face, e limpo-a.
Nesse cruzamento, não soube para onde virar.
Sem comentários:
Enviar um comentário