terça-feira, 26 de junho de 2012

Diálogo Literário

- Literatura, tu que existes em plena conformidade com o ser civilizado, que tens tu para me dizer? Por ventura, muita coisa, ironicamente, bastante. Mas que mais podes tu oferecer ao homem, senão papel e tinta, é uma pergunta á qual merece uma resposta.


- Que queres mero humano? Não me incomodes que estou enriquecendo a vida de muitos de vós... Olha, vês, respondi à tua pergunta, assim como que não quer a coisa, ou como que a coisa não quer. Tenho de usar recursos estilísticos, a reputação está em risco...


- Ahhhh, então argumentas tu, que existes para colorir o nosso coração!


- Quem disse isso? Não deturpes palavras minhas, mortal... Lês com o coração é? Ou usas o orgão que te faz ser quem és para processares o que te dou? O que te estou dizendo é o seguinte: Fui posto na terra por vós e  agora o meu trabalho, o meu foco e objetivo último é fazer com que a vossa vida não seja vivida em vão. Sim, vós ireis morrer mas com vocês irais levar para a terra tudo aquilo que eu vos dei. Só os mais afortunados são escolhidos para absorver o meu produto, a minha matéria prima. Nem todos me seguem e é pena. 


- Tens razão, é o cérebro que se enriquece, o coração esse tem outras maneiras de se preencher. Mas diz-me lá... porque demoraste tanto tempo a aparecer?


- Ora isso não sou eu que te tenho de responder, estou cá há uns bons milénios, fui criado por seres magníficos mas o passado não sei.


- Bem, então se és a Literatura, porque não podes tu aceder por exemplo, aos livros de história, à pré-história digo, e encontrar essas informações?


- E porque não o fazes tu? Cabe-te a ti a minha utilização. Eu não me sirvo de nada, sirvo todos mas em mim não toco. Sou um bem gratuito, ou melhor era, até decidirem fazer de mim um negócio, mas tudo bem, já recuperei... Agora ouve-me. Espalha a palavra por todos. Eu não chego ao homem, os homens chegam a mim por via racional e deliberadamente, ainda que de vontade livre.
 

- Quem és tu Literatura...


- Sou quem vocês não conseguem ser. Conseguirão?

sábado, 23 de junho de 2012

Incongruente Insanidade

Insanidade: palavra muitas vezes proferida sem crédito nem desdém, do nada. Pouca gente sabe o que ela significa até a experiência da razão a comprovar. Sim, por mais paradoxal que soe tal afirmação é nisto que se baseia. Só racionalizando, intlectualizando a informação que a palavra insano contém é que podemos compreender ao máximo o que significa realmente atingir o chamado ponto de rutura. Já Einstein, numa tentativa de definir este étimo esvoaçou uma frase: "é repetir a mesma coisa esperando resultados diferentes". Perdoe-me senhor génio, mas discordo veemente da sua honrada opinião. 

Insanidade, loucura ou demência (é à vontade do freguês) é simplesmente: fuga à perceção básica da vida; descontrolo máximo das capacidades neuronais. Esquecemos então a definição nada acertada do senhor que tanto nos influenciou, mas que morreu na praia no que toca a esta pertinente questão. Não o culpemos, era um mero físico não um psiquiatra.
 
Mas a questão pertinente nem é tanto a definição do étimo que abordo com curiosidade, mas sim:  porque fugimos nós à percepção base do mundo, aquela a que já Platão, esse sim, homem de grande importância nas questões mórbidas da tolice, se referia no seu alegórico conto. Ora, é em Platão sim que a resposta encontramos. É neste senhor que reside a não-dúvida.

Refere-se então este Grego, ou Helénico arcaico se preferirmos,  que existem dois mundos distintos, o mundo das sombras e o mundo inteligível.

O insano -o louco- foge do altar da superfície, foge da luz e desce à caverna novamente. Tão simples quanto isto, nada mais há a acrescentar.


Olhemos agora este homem, embrulhado numa camisa de forças, não aparenta mais de vinte e cinco anos, pobre alma. Encontra-se na ala psiquiátrica do hospital, -ou na caverna de Platão- agarrado às pregas que lhe roem a pele. Podemos nos questionar:  porque teve este homem tal sina? Porque enlouqueceu? A culpa será dele? Fica lançada a retórica no ar, debruce-se a psiquiatria, a não menos importante psicologia e a biologia sobre tão obtusa memória.

Dois vultos entram na sala,o homem recebe agora a injecção, acalmou, voltou à superfície mas está adormecido, já não é mais quem era. é uma sobra de tudo aquilo que conquistou. A família e os amigos são memórias escassas, nada concretas, o mundo é outro, não foi aquele em que nasceu. Para nós, meras "máquinas sanas" (quem lê o blogue deixa de o ser) este mundo permanece inalterado. Para este homem, esse mesmo mundo é um resquício do que era.

Criou o louco da camisa de forças um novo mundo na sua cabeça, criamos nós o mundo na nossa cabeça...

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Incongruente consciência

Dou por mim e já tenho o meu modesto carro encostado à berma da estrada. O vidro abre-se lentamente e a brisa marítima recheia-me as narinas. Não surte qualquer efeito benéfico no meu corpo, esse mantêm-se no mesmo estado de podridão em que me sinto.

A porta abre-se, custa-me a abri-la, a dor física é realmente intensa, tomo consciência disso. Se ao menos tivesse tido cuidado na noite passada, fiz o que não devia, foi por caminhos menos abertos na mente, e magoei-me. Resultado disso: não sei mais quem sou. É pena que a minha identidade, uma de muitas no mundo, se tenha perdido desta maneira.

Ouço risos infinitos de crianças a correr e brincar na praia, é lá onde me encontro agora, já saí do carro. Sei que sou mais um, mais uma criança, porque no fundo somos tudo uns infantis corpos no planeta. Ninguém matura realmente, ninguém conhece na integridade o mundo e aprendi isso da pior maneira.

E é então que uma das três crianças que brincava na fronteira entre o ínfimo areal e a pedra da calçada pára. É um rapazinho e olha intensamente para mim, um olhar latente, invadido de inocência. Só pena sinto, não pena do mocinho, mas de mim. Já fui assim, não sou mais, mas crescer como já disse, não cresci. Ninguém cresce.

A criança já desviou a retina para quem realmente merece e eu já estou sentado na pedra mármore que separa o mar da terra. Nada mais há a fazer senão visualizar o agora por-do-sol. O tom alaranjado da estrela mãe invade-me mas nada me faz. Sou um peso morto, sem alma alguma. Haverá saída para isto?  A única retórica digna de responder não é esta. É pena que a minha vida tenha acabado ontem, de tal forma drástica que mil palavras não completarão o fugaz vazio.

Desapareceu por inteiro o astro rei e as crianças, os adultos, os idosos, esvoaçaram, seguiram viagem, partiram para outra.Fico eu aqui, só mas acompanhado comigo mesmo, com a minha consciência. Talvez seja isso! A consciência, é o facto de eu estar aqui. Todos temos uma, e eu uso-a tão eficientemente que nada me abalará.

Eis então que chego à ideia base da vida humana: a consciência permite-nos de muitas formas ignorar a dor psicológica. Usemo-la.

Já estou no carro, ligo a ignição e volto ao local onde estive ontem. Enfrento a consequência do meu ato, uso a consciência e sigo viagem, para o indefinido.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Incongruente negrume

Está escuro. Sei que caminho para o indefinido, para o incerto. Não me preocupo, sei também que esse percurso atribulado trará vantagens a longo prazo. Quais? ideia não faço, mas que proveitosas serão não tenho duvida. Esta escuridão na qual me encontro é tudo culpa minha, passei a vida dormindo, fechando os olhos e absorvendo o negro do caminho. A situação faltosa em que meu corpo relaxado é meu problema, ninguém terá acesso a ele.
Fecho agora os olhos, é indeferente tê-los abertos, a escuridão já atinge o negrume, nada há para ver. Penso no que de mal fiz, sei que mereci tal sina, tal fado.

Abro novamente a pálpebra dormente. Em que irei pensar? Nada mais há a fazer senão por um pé à frente do outro e avançar no caminho, às cegas, mas com a certeza de que terá um fim, uma recompensa fortuita. Tudo se irá resolver, a sorte destina-se àqueles que a merecem, é essa a verdade em que finjo acreditar.

Os meus pés tocam agora solo alegre, vejo luz ao fundo do túnel. O caminho, atribulado e infame passou. Atingi porto seguro. A claridade fosca que meus olhos negros vêem nada dizem sobre o futuro, nem porventura sei o quão bom é o que vejo. Uma coisa é certa, tudo, absolutamente tudo, é melhor que a negra escuridão da alma.

Dou um passo em frente e evaporo, deixo de existir mas ainda consigo pensar, cogitar algo. Fui traído pela minha convicção de que qualquer claridade era melhor que negrume algum. Estava enganado e apercebo-me disso, estou consciente mas já não existo. Esvoacei. Não acredito na alma, contudo ela já não existe em mim.

Reapareço. Mudado, o meu corpo transformou-se, já não sou mais quem era. E mais uma vez sou invadido pela minha convicção de que afinal a claridade é boa, transvigorou-me profundaente, olhem para mim. Sou um homem confiante, sem medo ágil. Volto ao estado aonde estava, o de não estar. Mas estou, não estando, e isso é melhor que não estar, estando.
                   
                                                                                                                                       

                                                                                                                      














quarta-feira, 13 de junho de 2012

Incongruente passado


Por maior que  a incongruência do tempo atual com aquele período que já lá vai se revele, nunca a mente humana  irá notar o minimo resquício de evidência. Esta nos no sangue esquecer os acontecimentos fortuitos do pretérito, nada se faz contra isso. O ser humano relembra apenas o que necessita para continuar a sua viagem na vida. Mas quando nos falham à memória peças fulcrais do puzzle não há outro sentimento latente em mim que desilusão, talvez até revolta. Essa pungente mania que temos de deixar a história que menos convém para trás, depositá-la no compartimento do despojo, revela-se talvez o maior defeito do homem a seguir ao egoísmo. 
    
Pois usemos convenientemente este objeto chamado consciência, fornecido gratuitamente à saída do ventre, e lembremo-nos de que o passado existe. Relembro, ele existe, está de acordo com a física quântica, é provado por equações complexas e “simplexas”.

Pois então avivem essa mesma mente e lembrem ou relembrem os acontecimentos mais proveitosos da história da humanidade, alguns deles, e passo a discriminar: a descoberta da penicilina, a vacinação, os direitos humanos, a igualdade de raças na constituição de alguns países. Tudo o que se enumerou avidamente e sem interrupções pode ser visto como orgulho adquirido, mas não é o que acontece. O que sucede é a completa descrença na nossa espécie por parte dos seres que esquecem. Aqueles que apenas lembram os contras omitindo os prós.

    Caímos então na bendita incongruência do passado com o presente da humanidade, claro está, que nada faz para  a resolver. Há que agir e usar o acessório gratuito referido em cima. Só assim a espécie caminha a pés largos para aquilo a que realmente se propõe: a felicidade e o bem-estar físico.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Incongruente espécie

    Constata-se, de facto, a inverosimel semelhança do homem ao primata. Porquanto, tal teoria evolucionista corrobora a afirmação, agradecemos então a Darwin que com improrrogável clareza o explicitou. Somo descendentes de algo, há metamorfose, ainda que lenta, do corpo e da mente. O cérebro cresceu, e com ele aumentou a ganância, a maldade, o pecado a que a igreja, criação deste afogado cérebro e que tanto mal faz ao descendente amigável do primórdio antrópode,macaco diga-se e que não se proponham incoerências de cariz cientifico. Adquirimos como complexo dogmático a ideia de tal animal peludo com fracos níveis higienicos se designe com tal nome, afinal tem o mesmo antecessor ao humano, isso é o facto ainda que de teoria não avançe.
    Pertinente pergunta esta, o que destingue realmente as duas espécies, a sapiens e a macaquensis, assim lha chamaremos por motivos meramente humoristicos. Abordando filosofias intrinsecas, homolgadas ao longo da história, podemos responder à retorica questão. A ciência aqui fica de lado, já evidenciamos a virtude das proporções cerebrais, mais nada há a enaltecer, por enquanto.

    Que poderá um kant moderno ter a dizer acerca desta dissemelhança entre nós, assumido, como é obvio ,que o leitor adquire caracteristicas humanoides, e os peludos chimpanzés que as savanas zoológicas povoam? Aprentemente nada de concreto a par da diferença óbvia de coeficiente de inteligência, cor da pele, hábitos alimenticios, valores e leis. Observemos então o humano, bem assanhado e limpinho, sempre à espera da presa mas estoicamente, sem pressas nem desdenhos e viremos o olhar agora para o chimpamzé no zoo, a delicadez com que trata a pele do seu filho, os gunhidos com que afasta a possível ameaça humanoide.

    Este zé não vai à missa dominical, não reza dobrado por quem não atende, não liga para conselheiros de cariz espirtual. Não, este é livre de vaguear pelo habitáculo confinado, sodomiza a fêmea que bem lhe apetecer e segue viagem. Não tem medo do inferno o bendito animal, a par do medo adjacente à morte embora não saiba que vai falecer. Apenas pressente a chegada dessa mulher num capuz negro e ancinho ferroso na mão.

    E aí vemos agora o homem, lutando por nada de concreto, cheio de regrazinhas e valores morais, filosofias despachadas de esquina, e nada de mais importante a fazer do que pedir a deus conformidade, escapem os ateus a esta crítica, esses sim verdadeiros seres. Deriva-se todo o mérito à designação de sapiens sapiens, aos outros chamá-los-emos de macaquensis religiosis, designação patrocinada pelo Lineu do século XVIII, que tanto contribui para a sistemática, ciência de categorização dos vivos e dos mortos. Andará o homem, não o sapiens diga-se, mas sim o religiosis, espécie rara e abundante ao mesmo tempo, andará diziamos, a lutar durante anos a fio pelo génio de quatro letras que tudo criou, que tudo sabe e nada faz. Aos olhos de tal singular espécie em sete dias foi criado tudo o que existe e tudo que irá existir, é o que diz o livro profético, este já pronunciado não com quatro mas com seis estranhas letras. E o momento, involuntáriamente humoristico, continua desamparadamente. Não há quem o pare. Talvez um calhau dos céus acabe com estas ideias prolíficas que tanto atrasam os macaquensis. Os religiosis esses, terão de esperar que o alimento desça à terra. Que o messias lhes forneca as proteínas e os carboidratos necessários à sua legítima subsistência. Mas oremos a deus, pronunciou-se a palavra de quatro letras que, ainda que escrita, tanto atrapalha o sapiens sapiens na busca pela exterminação do religiosis. Será porventura devido a fenómenos de seleção natural que tal fanómeno acontecerá. Até lá meditemos, rezemos de joelhos pela paz, iremos ao papa em pregrinação e pensemos neste desígnio. Que espécie merece a via de extinção por legitimidade, é uma pergunta feita a todos que irá depender obviamente dos pontos de vista de cada um. Analisemos os factos e os contras calmamente para não cairmos em injustiças.

    Abstraíndo da ironia a erudita condição, raciocinemos,por antónimo perfeito a oremos, acerca da tal referida seleção que de carácter natural nada tem, infelizmente. Voltamos a referir o amigo Darwin, esse credivel ser humano, sapiens esclareça-se, que tanto fez pela sua companeiresca espécie. Nele, em Darwin, há a ideia chave para a erradicação dos religiosis. O ambiente escolherá quem deverá ser eliminado. Tal escolha factual demora anos, milenios, por ventura milhões de séculos e não sei se estaremos aqui, nesta inocente terra, por mais tempo. Aguentamos talvez mais cem a duzentos anos. A auto aniquilação regressará e tomará conta do mundo, fica aqui a herética profecia.

    Esperaremos e até lá raciocinemos, usando agressivamente este antónimo à oração. Tudo ficou dito mas nada ficou paradoxalmente abrangido. Subentende-se a fala do homem e do macaco, este ultimo para trás ficou no argumento.

    Salve-se o chimpanzé, esse por milhões de anos viverá, ainda que na ignorância, mas nunca na sua etimologia latina virá a palvra religiosis surgir. Gloria a deus, agradecam macacos a ele por tal sorte.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Incongruência Paradoxal

1.Dizer que 2 + 2 = 5 é incongruente.

2. não concordante, incompatível:
A decisão do tribunal foi incongruente com a ética

Não se alarme. Não quero e modo algum começar com o pior pé e ofender o leitor apresentando-o com a definição de tal palavra. Poderá por ventura tê-la visto algures entre os dicionários mais obtusos, os jornas mais eruditos mas nunca de modo algum a viu no contexto prático.

Estamos constantemente em pleno contacto com o paradoxo ( esta palavra muitas vezes funcionará como sinonimo à incongruência) mas nunca nos questionamos acerca dele: Porque não funcionam no mundo real ou porque é que o universo não os deixa procriar?

Já se questionou por ventura o leitor acerca da típica incongruência/paradoxo da viagem no tempo: e se fosse atrás na vigorosa teia do espaço e matasse o seu avô? Será que por ventura o seu corpo desapareceria, esvanecia no momento em que tal acto cometia?

É de senso comum, alias é de senso bem pouco comum, de que é impossível voltar atrás no tempo e mudar o que quer que seja. O passado não se altera, assim manda a lei da física, inexoravel e incontestável.

Mas parece-nos que o ser humano tem esse fascínio inato pelo estudo das imcompatibilidades, pela fuga ao vulgaríssimo por excelência. É esta variedade de temáticas que elucidarei com veêmencia neste espaço internetioso ( não, tal palavra não existe, é incongruente).