terça-feira, 12 de junho de 2012

Incongruente espécie

    Constata-se, de facto, a inverosimel semelhança do homem ao primata. Porquanto, tal teoria evolucionista corrobora a afirmação, agradecemos então a Darwin que com improrrogável clareza o explicitou. Somo descendentes de algo, há metamorfose, ainda que lenta, do corpo e da mente. O cérebro cresceu, e com ele aumentou a ganância, a maldade, o pecado a que a igreja, criação deste afogado cérebro e que tanto mal faz ao descendente amigável do primórdio antrópode,macaco diga-se e que não se proponham incoerências de cariz cientifico. Adquirimos como complexo dogmático a ideia de tal animal peludo com fracos níveis higienicos se designe com tal nome, afinal tem o mesmo antecessor ao humano, isso é o facto ainda que de teoria não avançe.
    Pertinente pergunta esta, o que destingue realmente as duas espécies, a sapiens e a macaquensis, assim lha chamaremos por motivos meramente humoristicos. Abordando filosofias intrinsecas, homolgadas ao longo da história, podemos responder à retorica questão. A ciência aqui fica de lado, já evidenciamos a virtude das proporções cerebrais, mais nada há a enaltecer, por enquanto.

    Que poderá um kant moderno ter a dizer acerca desta dissemelhança entre nós, assumido, como é obvio ,que o leitor adquire caracteristicas humanoides, e os peludos chimpanzés que as savanas zoológicas povoam? Aprentemente nada de concreto a par da diferença óbvia de coeficiente de inteligência, cor da pele, hábitos alimenticios, valores e leis. Observemos então o humano, bem assanhado e limpinho, sempre à espera da presa mas estoicamente, sem pressas nem desdenhos e viremos o olhar agora para o chimpamzé no zoo, a delicadez com que trata a pele do seu filho, os gunhidos com que afasta a possível ameaça humanoide.

    Este zé não vai à missa dominical, não reza dobrado por quem não atende, não liga para conselheiros de cariz espirtual. Não, este é livre de vaguear pelo habitáculo confinado, sodomiza a fêmea que bem lhe apetecer e segue viagem. Não tem medo do inferno o bendito animal, a par do medo adjacente à morte embora não saiba que vai falecer. Apenas pressente a chegada dessa mulher num capuz negro e ancinho ferroso na mão.

    E aí vemos agora o homem, lutando por nada de concreto, cheio de regrazinhas e valores morais, filosofias despachadas de esquina, e nada de mais importante a fazer do que pedir a deus conformidade, escapem os ateus a esta crítica, esses sim verdadeiros seres. Deriva-se todo o mérito à designação de sapiens sapiens, aos outros chamá-los-emos de macaquensis religiosis, designação patrocinada pelo Lineu do século XVIII, que tanto contribui para a sistemática, ciência de categorização dos vivos e dos mortos. Andará o homem, não o sapiens diga-se, mas sim o religiosis, espécie rara e abundante ao mesmo tempo, andará diziamos, a lutar durante anos a fio pelo génio de quatro letras que tudo criou, que tudo sabe e nada faz. Aos olhos de tal singular espécie em sete dias foi criado tudo o que existe e tudo que irá existir, é o que diz o livro profético, este já pronunciado não com quatro mas com seis estranhas letras. E o momento, involuntáriamente humoristico, continua desamparadamente. Não há quem o pare. Talvez um calhau dos céus acabe com estas ideias prolíficas que tanto atrasam os macaquensis. Os religiosis esses, terão de esperar que o alimento desça à terra. Que o messias lhes forneca as proteínas e os carboidratos necessários à sua legítima subsistência. Mas oremos a deus, pronunciou-se a palavra de quatro letras que, ainda que escrita, tanto atrapalha o sapiens sapiens na busca pela exterminação do religiosis. Será porventura devido a fenómenos de seleção natural que tal fanómeno acontecerá. Até lá meditemos, rezemos de joelhos pela paz, iremos ao papa em pregrinação e pensemos neste desígnio. Que espécie merece a via de extinção por legitimidade, é uma pergunta feita a todos que irá depender obviamente dos pontos de vista de cada um. Analisemos os factos e os contras calmamente para não cairmos em injustiças.

    Abstraíndo da ironia a erudita condição, raciocinemos,por antónimo perfeito a oremos, acerca da tal referida seleção que de carácter natural nada tem, infelizmente. Voltamos a referir o amigo Darwin, esse credivel ser humano, sapiens esclareça-se, que tanto fez pela sua companeiresca espécie. Nele, em Darwin, há a ideia chave para a erradicação dos religiosis. O ambiente escolherá quem deverá ser eliminado. Tal escolha factual demora anos, milenios, por ventura milhões de séculos e não sei se estaremos aqui, nesta inocente terra, por mais tempo. Aguentamos talvez mais cem a duzentos anos. A auto aniquilação regressará e tomará conta do mundo, fica aqui a herética profecia.

    Esperaremos e até lá raciocinemos, usando agressivamente este antónimo à oração. Tudo ficou dito mas nada ficou paradoxalmente abrangido. Subentende-se a fala do homem e do macaco, este ultimo para trás ficou no argumento.

    Salve-se o chimpanzé, esse por milhões de anos viverá, ainda que na ignorância, mas nunca na sua etimologia latina virá a palvra religiosis surgir. Gloria a deus, agradecam macacos a ele por tal sorte.

2 comentários:

  1. Confesso que me fartei de rir com este post, sabendo que recorres a algum sarcasmo para falar sobre um tema muito pertinente. Acho que defendes muito bem o teu caso, falando sobre a religião, sobre a evolução humana e assim a nossa condição.
    Quanto mais evoluímos somos, a verdade é que mais influência sobre nós têm as coisas más, como violência, ganância e etcs. É um paradoxo em si mesmo, porque a evolução carece de um maior conhecimento e as nossas mentes parece que cada vez mais regridem.
    Gostei muito de ler, acho que isto foi um desabafo muito interessante.

    ResponderEliminar
  2. Obrigado Filipa! Sempre bom ouvir isso ;)

    ResponderEliminar