sábado, 23 de junho de 2012

Incongruente Insanidade

Insanidade: palavra muitas vezes proferida sem crédito nem desdém, do nada. Pouca gente sabe o que ela significa até a experiência da razão a comprovar. Sim, por mais paradoxal que soe tal afirmação é nisto que se baseia. Só racionalizando, intlectualizando a informação que a palavra insano contém é que podemos compreender ao máximo o que significa realmente atingir o chamado ponto de rutura. Já Einstein, numa tentativa de definir este étimo esvoaçou uma frase: "é repetir a mesma coisa esperando resultados diferentes". Perdoe-me senhor génio, mas discordo veemente da sua honrada opinião. 

Insanidade, loucura ou demência (é à vontade do freguês) é simplesmente: fuga à perceção básica da vida; descontrolo máximo das capacidades neuronais. Esquecemos então a definição nada acertada do senhor que tanto nos influenciou, mas que morreu na praia no que toca a esta pertinente questão. Não o culpemos, era um mero físico não um psiquiatra.
 
Mas a questão pertinente nem é tanto a definição do étimo que abordo com curiosidade, mas sim:  porque fugimos nós à percepção base do mundo, aquela a que já Platão, esse sim, homem de grande importância nas questões mórbidas da tolice, se referia no seu alegórico conto. Ora, é em Platão sim que a resposta encontramos. É neste senhor que reside a não-dúvida.

Refere-se então este Grego, ou Helénico arcaico se preferirmos,  que existem dois mundos distintos, o mundo das sombras e o mundo inteligível.

O insano -o louco- foge do altar da superfície, foge da luz e desce à caverna novamente. Tão simples quanto isto, nada mais há a acrescentar.


Olhemos agora este homem, embrulhado numa camisa de forças, não aparenta mais de vinte e cinco anos, pobre alma. Encontra-se na ala psiquiátrica do hospital, -ou na caverna de Platão- agarrado às pregas que lhe roem a pele. Podemos nos questionar:  porque teve este homem tal sina? Porque enlouqueceu? A culpa será dele? Fica lançada a retórica no ar, debruce-se a psiquiatria, a não menos importante psicologia e a biologia sobre tão obtusa memória.

Dois vultos entram na sala,o homem recebe agora a injecção, acalmou, voltou à superfície mas está adormecido, já não é mais quem era. é uma sobra de tudo aquilo que conquistou. A família e os amigos são memórias escassas, nada concretas, o mundo é outro, não foi aquele em que nasceu. Para nós, meras "máquinas sanas" (quem lê o blogue deixa de o ser) este mundo permanece inalterado. Para este homem, esse mesmo mundo é um resquício do que era.

Criou o louco da camisa de forças um novo mundo na sua cabeça, criamos nós o mundo na nossa cabeça...

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