Constata-se, de facto, a inverosimel semelhança do homem ao primata.
Porquanto, tal teoria evolucionista corrobora a afirmação, agradecemos
então a Darwin que com improrrogável clareza o explicitou. Somo
descendentes de algo, há metamorfose, ainda que lenta, do corpo e da
mente. O cérebro cresceu, e com ele aumentou a ganância, a maldade, o
pecado a que a igreja, criação deste afogado cérebro e que tanto mal faz
ao descendente amigável do primórdio antrópode,macaco diga-se e que não
se proponham incoerências de cariz cientifico. Adquirimos como complexo
dogmático a ideia de tal animal peludo com fracos níveis higienicos se
designe com tal nome, afinal tem o mesmo antecessor ao humano, isso é o
facto ainda que de teoria não avançe.
Pertinente pergunta esta, o que destingue realmente as duas espécies, a
sapiens e a macaquensis, assim lha chamaremos por motivos meramente
humoristicos. Abordando filosofias intrinsecas, homolgadas ao longo da
história, podemos responder à retorica questão. A ciência aqui fica de
lado, já evidenciamos a virtude das proporções cerebrais, mais nada há a
enaltecer, por enquanto.
Que poderá um kant moderno ter a dizer acerca desta dissemelhança entre
nós, assumido, como é obvio ,que o leitor adquire caracteristicas
humanoides, e os peludos chimpanzés que as savanas zoológicas povoam?
Aprentemente nada de concreto a par da diferença óbvia de coeficiente de
inteligência, cor da pele, hábitos alimenticios, valores e leis.
Observemos então o humano, bem assanhado e limpinho, sempre à espera da
presa mas estoicamente, sem pressas nem desdenhos e viremos o olhar
agora para o chimpamzé no zoo, a delicadez com que trata a pele do seu
filho, os gunhidos com que afasta a possível ameaça humanoide.
Este zé não vai à missa dominical, não reza dobrado por quem não
atende, não liga para conselheiros de cariz espirtual. Não, este é livre
de vaguear pelo habitáculo confinado, sodomiza a fêmea que bem lhe
apetecer e segue viagem. Não tem medo do inferno o bendito animal, a par
do medo adjacente à morte embora não saiba que vai falecer. Apenas
pressente a chegada dessa mulher num capuz negro e ancinho ferroso na
mão.
E aí vemos agora o homem, lutando por nada de concreto, cheio de
regrazinhas e valores morais, filosofias despachadas de esquina, e nada
de mais importante a fazer do que pedir a deus conformidade, escapem os
ateus a esta crítica, esses sim verdadeiros seres. Deriva-se todo o
mérito à designação de sapiens sapiens, aos outros chamá-los-emos de
macaquensis religiosis, designação patrocinada pelo Lineu do século
XVIII, que tanto contribui para a sistemática, ciência de categorização
dos vivos e dos mortos. Andará o homem, não o sapiens diga-se, mas sim o
religiosis, espécie rara e abundante ao mesmo tempo, andará diziamos, a
lutar durante anos a fio pelo génio de quatro letras que tudo criou,
que tudo sabe e nada faz. Aos olhos de tal singular espécie em sete dias
foi criado tudo o que existe e tudo que irá existir, é o que diz o
livro profético, este já pronunciado não com quatro mas com seis
estranhas letras. E o momento, involuntáriamente humoristico, continua
desamparadamente. Não há quem o pare. Talvez um calhau dos céus acabe
com estas ideias prolíficas que tanto atrasam os macaquensis. Os
religiosis esses, terão de esperar que o alimento desça à terra. Que o
messias lhes forneca as proteínas e os carboidratos necessários à sua
legítima subsistência. Mas oremos a deus, pronunciou-se a palavra de
quatro letras que, ainda que escrita, tanto atrapalha o sapiens sapiens
na busca pela exterminação do religiosis. Será porventura devido a
fenómenos de seleção natural que tal fanómeno acontecerá. Até lá
meditemos, rezemos de joelhos pela paz, iremos ao papa em pregrinação e
pensemos neste desígnio. Que espécie merece a via de extinção por
legitimidade, é uma pergunta feita a todos que irá depender obviamente
dos pontos de vista de cada um. Analisemos os factos e os contras
calmamente para não cairmos em injustiças.
Abstraíndo da ironia a erudita condição, raciocinemos,por antónimo
perfeito a oremos, acerca da tal referida seleção que de carácter
natural nada tem, infelizmente. Voltamos a referir o amigo Darwin, esse
credivel ser humano, sapiens esclareça-se, que tanto fez pela sua
companeiresca espécie. Nele, em Darwin, há a ideia chave para a
erradicação dos religiosis. O ambiente escolherá quem deverá ser
eliminado. Tal escolha factual demora anos, milenios, por ventura
milhões de séculos e não sei se estaremos aqui, nesta inocente terra,
por mais tempo. Aguentamos talvez mais cem a duzentos anos. A auto
aniquilação regressará e tomará conta do mundo, fica aqui a herética
profecia.
Esperaremos e até lá raciocinemos, usando agressivamente este antónimo à
oração. Tudo ficou dito mas nada ficou paradoxalmente abrangido.
Subentende-se a fala do homem e do macaco, este ultimo para trás ficou
no argumento.
Salve-se o chimpanzé, esse por milhões de anos viverá, ainda que na
ignorância, mas nunca na sua etimologia latina virá a palvra religiosis
surgir. Gloria a deus, agradecam macacos a ele por tal sorte.
Confesso que me fartei de rir com este post, sabendo que recorres a algum sarcasmo para falar sobre um tema muito pertinente. Acho que defendes muito bem o teu caso, falando sobre a religião, sobre a evolução humana e assim a nossa condição.
ResponderEliminarQuanto mais evoluímos somos, a verdade é que mais influência sobre nós têm as coisas más, como violência, ganância e etcs. É um paradoxo em si mesmo, porque a evolução carece de um maior conhecimento e as nossas mentes parece que cada vez mais regridem.
Gostei muito de ler, acho que isto foi um desabafo muito interessante.
Obrigado Filipa! Sempre bom ouvir isso ;)
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