Está
escuro. Sei que caminho para o indefinido, para o incerto. Não me
preocupo, sei também que esse percurso atribulado trará vantagens a
longo prazo. Quais? ideia não faço, mas que proveitosas serão não tenho
duvida. Esta escuridão na qual me encontro é tudo culpa minha, passei a
vida dormindo, fechando os olhos e absorvendo o negro do caminho. A
situação faltosa em que meu corpo relaxado é meu problema, ninguém terá
acesso a ele.
Fecho
agora os olhos, é indeferente tê-los abertos, a escuridão já atinge o
negrume, nada há para ver. Penso no que de mal fiz, sei que mereci tal
sina, tal fado.
Abro
novamente a pálpebra dormente. Em que irei pensar? Nada mais há a fazer
senão por um pé à frente do outro e avançar no caminho, às cegas, mas
com a certeza de que terá um fim, uma recompensa fortuita. Tudo se irá
resolver, a sorte destina-se àqueles que a merecem, é essa a verdade em
que finjo acreditar.
Os
meus pés tocam agora solo alegre, vejo luz ao fundo do túnel. O
caminho, atribulado e infame passou. Atingi porto seguro. A claridade
fosca que meus olhos negros vêem nada dizem sobre o futuro, nem
porventura sei o quão bom é o que vejo. Uma coisa é certa, tudo,
absolutamente tudo, é melhor que a negra escuridão da alma.
Dou
um passo em frente e evaporo, deixo de existir mas ainda consigo
pensar, cogitar algo. Fui traído pela minha convicção de que qualquer
claridade era melhor que negrume algum. Estava enganado e apercebo-me
disso, estou consciente mas já não existo. Esvoacei. Não acredito na
alma, contudo ela já não existe em mim.
Reapareço.
Mudado, o meu corpo transformou-se, já não sou mais quem era. E mais
uma vez sou invadido pela minha convicção de que afinal a claridade é
boa, transvigorou-me profundaente, olhem para mim. Sou um homem
confiante, sem medo ágil. Volto ao estado aonde estava, o de não estar.
Mas estou, não estando, e isso é melhor que não estar, estando.
Acho que devias apostar mais nesta coisa da escrita! Gosto de ver desabafos espontâneos, saem sempre alguma coisa interessante. Eu escrevo muito, sem ser sobre os livros que leio, ou os filmes que vejo. Escrevo de mim para mim, onde posso reflectir sobre os meus pensamentos, deixá-los vir cá fora para brincar. Adoro, quando meses depois, abro esse mesmo caderno e volto a sentir tudo o que escrevi. Tudo aquilo que senti no momento em que escrevi aquelas palavras. Continua, porque estes desabafos são uma boa prática, para quem gosta de escrever.
ResponderEliminar;)
ResponderEliminar