terça-feira, 19 de junho de 2012

Incongruente negrume

Está escuro. Sei que caminho para o indefinido, para o incerto. Não me preocupo, sei também que esse percurso atribulado trará vantagens a longo prazo. Quais? ideia não faço, mas que proveitosas serão não tenho duvida. Esta escuridão na qual me encontro é tudo culpa minha, passei a vida dormindo, fechando os olhos e absorvendo o negro do caminho. A situação faltosa em que meu corpo relaxado é meu problema, ninguém terá acesso a ele.
Fecho agora os olhos, é indeferente tê-los abertos, a escuridão já atinge o negrume, nada há para ver. Penso no que de mal fiz, sei que mereci tal sina, tal fado.

Abro novamente a pálpebra dormente. Em que irei pensar? Nada mais há a fazer senão por um pé à frente do outro e avançar no caminho, às cegas, mas com a certeza de que terá um fim, uma recompensa fortuita. Tudo se irá resolver, a sorte destina-se àqueles que a merecem, é essa a verdade em que finjo acreditar.

Os meus pés tocam agora solo alegre, vejo luz ao fundo do túnel. O caminho, atribulado e infame passou. Atingi porto seguro. A claridade fosca que meus olhos negros vêem nada dizem sobre o futuro, nem porventura sei o quão bom é o que vejo. Uma coisa é certa, tudo, absolutamente tudo, é melhor que a negra escuridão da alma.

Dou um passo em frente e evaporo, deixo de existir mas ainda consigo pensar, cogitar algo. Fui traído pela minha convicção de que qualquer claridade era melhor que negrume algum. Estava enganado e apercebo-me disso, estou consciente mas já não existo. Esvoacei. Não acredito na alma, contudo ela já não existe em mim.

Reapareço. Mudado, o meu corpo transformou-se, já não sou mais quem era. E mais uma vez sou invadido pela minha convicção de que afinal a claridade é boa, transvigorou-me profundaente, olhem para mim. Sou um homem confiante, sem medo ágil. Volto ao estado aonde estava, o de não estar. Mas estou, não estando, e isso é melhor que não estar, estando.
                   
                                                                                                                                       

                                                                                                                      














2 comentários:

  1. Acho que devias apostar mais nesta coisa da escrita! Gosto de ver desabafos espontâneos, saem sempre alguma coisa interessante. Eu escrevo muito, sem ser sobre os livros que leio, ou os filmes que vejo. Escrevo de mim para mim, onde posso reflectir sobre os meus pensamentos, deixá-los vir cá fora para brincar. Adoro, quando meses depois, abro esse mesmo caderno e volto a sentir tudo o que escrevi. Tudo aquilo que senti no momento em que escrevi aquelas palavras. Continua, porque estes desabafos são uma boa prática, para quem gosta de escrever.

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